30 de agosto de 2011

Heartbreak of a broken heart ... IV


O professor


Cheguei em casa cansado e me sentindo estranho, com uma sensação de vazio, como se alguém tivesse arrancado meus pulmões e os tivessem substituído por uma chaminé acesa, nunca havia sentido aquilo, era uma merda. Lembrei da Thaís, não havia como negar eu era perdidamente apaixonado por ela e era com ela que eu queria estar naquele momento, precisava dela, precisava sentir o cheiro dela, abraçá-la, precisava das mãos dela, queria aquela garota de volta, teria que dizer isso a ela, mas eu seria um idiota ou sei lá acho que não tinha coragem de rastejar e pedir pra voltar, como amigo eu sabia que era o que ela queria que eu fizesse. E as meninas? Só faltava a Carla e prontinho eu ia lembrá-las do nosso casinho e elas iam influenciar a Thaís a voltar pra mim, ela voltaria, eu ia contar pra ela que passei o rodo nas amigas dela e ia espalhar pra todo mundo que elas eram melhores que a Thaís, Ridículo? Sim, mas vai que dava certo e eu não tinha outra escolha, não eu não falaria com ela. Tentei me distrair fui para o Facebook, pra ver como ela estava, eis que vejo que ela estava num “Relacionamento Sério”, opa! Então ela ainda não se vê sem mim, voltou a colocar que tá namorando. A chaminé esfriou um pouco. Não precisaria fazer mais nada, nada de planos, nada de nada, decidi ir a casa dela, agora não teria problema, ela era minha de novo. Só achei estranho nenhuma de nossas fotos estar lá. Tudo bem, ela não deve ter tido tempo. Antes eu deixei uma mensagem pra Bruna pelo acontecido e que eu havia me arrependido, que eu ainda amava a Thaís. Me vesti com as roupas e usei o perfume que ela tinha me dado e fui sem pensar. Quando cheguei na rua da Thaís vi um carro parado na frente da casa dela, deveriam ter visitas, talvez eu já ficaria pra jantar. Tinha alguém dentro do carro, era um homem no banco do motorista, não consegui ver o rosto dele a princípio, mas vi bem que era a Thaís do lado dele, me escondi atrás de um arbusto e fiquei observando, mantendo uma distância segura do carro. Ele era bem mais velho dava pra perceber pelo jeito e pelo carro por que um cara da minha idade não andava um carro daquele, mas não conseguia ver o rosto dele de jeito algum. A Thaís tava toda alegrinha, gargalhando e usando a carinha que ela fazia pra seduzir, ele se inclinou e a beijou não acreditei no que eu vi, não mesmo. Ela nunca gostou de cara mais velho que merda era aquela agora? A chaminé se acendeu de novo e eu precisava ver quem era aquele maldito, queria matar os dois naquele instante, senti um ódio sem igual. Andei até uma árvore próxima ao carro, sem tirar os olhos do casal que felizes se beijavam. Quando enfim se desgrudaram eis que eu vejo a figura do nosso professor de matemática. Senti nojo, raiva, ódio, tristeza tudo junto. E sai de lá antes de fazer algo que eu me arrependesse. Meu plano com as amigas dela era furada, pra mim não fazia mais sentido. Mesmo a Carla sendo gostosa já não tava mais afim, mas eu ainda espalharia que tinha pegado a Paulinha e a Bruna. Nessas horas o melhor a se fazer é encher a cara com os amigos, bebi muito, muito mesmo. Não esqueci a cena e meu ódio só aumentou. O professor morava duas ruas abaixo da minha. Fui até lá, peguei uma barra de aço e arrebentei o vidro da frente do carro dele. Quando as luzes da casa se acenderam eu saí correndo. Fui pra casa, naquele momento só precisava descansar e pensar no que eu ia fazer pra acabar com aquela palhaça, antes que toda a escola soubesse que eu fui trocado por um velho. No outro dia o professor chegou a pé na escola. Na aula ele contou que alguém tinha vandalizado o carro dele. E ele ainda nem sabia o que estava por vir.

29 de agosto de 2011

Heartbreak of a broken heart ... III

A desengonçada do sorriso metálico


A próxima amiga seria a Paulinha ela não era bonita, era meio desengonçada e ria de um jeito estranho, que às vezes até assustava. Mais gostava de piadas, como toda garota desengonçada. Com ela o esquema seria à tarde depois da aula, sim eu pegaria uma amiga depois da outra pro meu plano estilo “Malhação” dar certo. Sabe como é planinho de novela que faz as meninas e as senhoras donas de casa ficarem bravas com o vilão, que no caso sou eu, eu quem ficaria com a mocinha (Thaís) e a humilharia como pudesse. Nunca vi ninguém fazendo aquelas merdas todas que eles fazem, mas não custa nada tentar já que o improvável às vezes é o que dá mais certo inclusive nessas ocasiões. E falando em Thaís não a vi no colégio, o professor de Matemática tinha faltado então iríamos pra casa mais cedo. Fui falar com a Bruna. –Oi Bruna. –Ah Marcelo. –Você viu a Thaís? –Não, ela tinha um compromisso. –Hum...  Estranho ela nunca falta. Mas Bruna, então a gente pode esquecer aquilo. Me desculpa é que fiquei tão abalado com o que a Thaís fez, você é tão linda, fiquei confuso, você entende? –É, acho que entendo. –Preciso da sua ajuda Bruna, conversa com a Thaís pede pra ele voltar pra mim. –Sei não Marcelo, acho que ... –Foi pelo que aconteceu hoje, né? –Não, não claro que não. –Então não tem nada que te impeça de fazer esse favor pra mim, não é? –É verdade vou conversar com ela. –Obrigado Bruna. Estágio um completo. É claro que ela concordaria, caso contrário eu usaria o acontecido pela manhã pra fazê-la concordar. Sentei no banco de sempre e esperei a Paulinha passar, ela sempre passava ali antes de ir pra casa.E lá vinha ela com aquele sorriso metálico, os ombros curvados e o cabelo desgrenhado, Argh, seria difícil, mas eu não podia desistir agora, com a Bruna já tinha dado certo, faltava essa e a mais difícil e mais gostosa, a Carla, mas voltando ao cordeirinho de número dois... –Oi Paulinha. –Oiiii. Até pra falar oi ela era estranha, falava saltitando parecia um emoticon, mas um daqueles feios. –Tá indo pra casa? –Tô. –Então vou com você. No caminho contei todo meu estoque de piadas dos pontinhos e as de loira burra. Ela riu e riu e riu. –Vai fazer o que agora à tarde? –Nada, como não teve matemática, não tem dever pra casa. –Quer assistir um filme? –Pode ser, vou ligar pra Thaís pra ela ir com a gente. –Não a Thaís não quer me ver. –Ué vocês brigaram. –Não ela terminou comigo. E nem sei por que. –Ah eu sei. –Sabe o que? –Nada. Queria arrancar algo dela, mas eu iria arrancar de outro jeito depois. –Então vou pra casa pego um filme e daqui uma hora te encontro na sua casa. Pode ser? –Tá bom.  Como ninguém dava bola pra Paulinha tinha quase certeza que ela era virgem, ia ser um saco fazer aquilo, o esquema era levá-la pra assistir um filme de comédia romântica daquelas que os casais são mais afoitos, com peitos aparecendo e sexo com “amor”. Eu ia fazer ela ficar animadinha, felizinha e pá. Comi alguma besteira em casa, tomei um banho rápido, peguei O amor entre outras drogas pra gente ver e fui pra casa da Paulinha. Ela fez pipoca, tentou ser legal e até que ela era engraçadinha, quando não sorria muito. Na primeira cena de sexo ela ficou toda sorridente e envergonhada, na segunda piorou, ela ficou falante e comentava coisas sem sentido, na terceira ela ficou envergonhadíssima, eu olhei pra ela e soltei o clichêzão. –Nunca tinha percebido que sua risada era tão bonita. –Haha Obrigado Marcelo, ninguém acha isso. –Eu acho e acho que é muito gostosa de se ouvir. –É? –E não é só sua risada que é gostosa aqui. Ela corou. –Eérr você quer mais refri? –Quero sim. Enquanto ela foi pegar eu precisava pensar em qualquer coisa pra me excitar, por que não dava pra fazer isso olhando pra Paulinha. Pensei na mina do filme. Fui atrás dela na cozinha. Abracei ela por trás. –Você é a menina mais linda que eu já vi numa cozinha, você fica tão sensual... Desculpa sociedade não pensei em nada melhor pra dizer pra ela. Não esperei ela falar, menina virgem fala demais. A beijei, passei minha mão pelo cabelo desgrenhado, parecia uma morta viva com aquele penteado, joguei ela por cima da mesa e arranquei a blusa dela, ufa, pelo menos os peitos eram bonitos, eram enormes, não sei porque ela os escondia tanto, tirei a calça e vi que bunda ela não tinha nenhuma. Ficou o tempo todo calada e séria. –Tudo bem? –É tudo mais... é que eu sou virgem. –Tudo bem é só você relaxar. Tá? –Tá bom. Nós fomos para o quarto dela. Eu era canalha, mas nem tanto, acho que ia ser melhor pra ela se fosse numa cama. Fiz direitinho. Foi sem graça, claro. Não me diverti. Mas comi. E fiz um enorme favor pra ela já que ninguém faria o sacrifício de pegar aquela esquisitona.  

26 de agosto de 2011

Heartbreak of a broken heart ... II

Acordei com a fúria condensada em meus olhos, as minhas 4 horas de sono não me ajudaram a esquecer nada, não conseguia acreditar, no motivo ridículo da Thaís pra terminar comigo, mas acabou. Beleza, eu não era muito sensato e orgulhoso demais pra chegar e pedir pra voltar sei lá, era meu jeito. Minha tática seria fazer ela querer voltar, porque ela precisava de mim. Para isso eu precisava ser hiper natural, como se ela também não representasse absolutamente nada, a não ser meus 1 ano e 4 meses de fidelidade mal sucedidas, afinal de que valia ter sido fiel agora? É, me arrependo de não ter metido um chifre por semana nela, no mínimo. Pelo menos, boa de cama ela era, ia sentir falta disso ou não já que pra cada Thaís no mundo tem umas 25 putas querendo qualquer cara por aí, eu tinha que achar algum lucro por ter me metido naquela situação, a cara de coitado sempre funciona, mulher adora ver homem falando que ficou com o coração partido, que não aguenta mais de saudades, que chorou a noite toda e que não sabe viver sem a sua amada e elas nos consolam, ah consolam, cada uma com seu jeito... Um beijinho ali outra aqui, uma boa transa daquelas de te deixar cansado e com sono e claro tem as que só dão o ombro amigo. Eu não queria ombros, queria mesmo era as coxas. E saber que me culpei tanto pelas vezes que ela descobria no meu histórico do PC aquelas páginas com mulheres que só existem na nossa imaginação ou uma conversa no bate-papo para sexo virtual. Poxa se era pra me sacanear podia ter me deixado curtir mais. Pois bem, ela voltaria comigo por bem ou por mal. Não me importava só queria fazer ela sentir o gosto da minha raiva, que em menos de 24h ela me fez passar. Ela tinha 3 melhores amigas e eu pegaria as três. Como? Ah vá, você sabe que meninas sempre contam tudo para seus namorados? Automaticamente eu sabia todos os podres das amigas delas, fácil não? Não ia chantagear ninguém só queria esfregar isso na cara da maldita da Thaís. A primeira era a Bruna, ela morava na minha rua e não era por isso que ia ser a primeira, ela era mais bobinha, carente e dava pra qualquer um que dissesse que os olhos dela eram bonitos e que o cabelo dela cheirava bem, no caminho do colégio passei na casa dela. –Oi Marcelo. Que foi? Aconteceu alguma coisa? –Não, passei aqui pra ver se a gente podia ir junto pra aula. –Ah tá. Eu só vou pegar minha mochila. -Pode deixar eu levo pra você. –Obrigado. Então você tá bem? A Thaís me contou que vocês não estão mais juntos. –Pois é, to acabado, você sabe como sou na frente dela sempre vou tá bem, mas não conta pra ela ontem eu chorei a noite toda. –Ah tadinho.  (blá,blá,blá) –Bruna preciso passar num lugar antes de ir pra aula você vem comigo? –É rápido? –É sim, bem rapidinho.  Minha rua tinha uns becos e eles eram ótimos para uma “rapidinha”, –Nossa Bruna você é tão doce. Seus olhos são lindos sabia? –Você acha? –São sim, eles tem um contraste ideal com seus cabelos. –Ain Marcelo. “Ain Marcelo?” Com voz melosa... aquela era hora de atacar. –Bruna sempre quis alguém como você sabia? –Sério? –É sim. Peguei no rosto dela fiz um carinho de leve, fui me aproximando, ela ficou ofegante, a encostei na parede segurei seu rosto e comecei a beijá-la, de levinho no rosto até chegar na boca, não era difícil fazer aquilo a Bruna era uma delícia e se fosse um sacrifício ia ser o melhor que eu executaria. Fui aumentando a velocidade dos beijos, deslizei minhas mãos pelos seios dela e ela deixou, tudo é o jeitinho, com garota assim o negocio é sempre olhar nos olhos, começar devagar e mentir muito mesmo, daí você faz tudo que você quiser com ela e fiz. –Marcelo, não tá certo, alguém pode aparecer. –Linda confia em mim, tô aqui e nada vai acontecer de ruim com você. –Tá. Desci a calça dela, abri a minha e fiz o que tava ali pra fazer. Ela era linda, a adrenalina ajudou mais ainda e foi ótimo. Depois disso fomos pra aula normalmente, eu não precisava pedir pra ela não contar pra Thaís. Claro que ela não ia contar que tinha dado pra o ex namorado da melhor amiga em menos de 24h do término do namoro. Tava satisfeito. Pelo menos até o horário da próxima refeição. 

25 de agosto de 2011

Heartbreak of a broken heart ... I

-Porque isso agora? –Porque eu estou cansada de você. –Mais tá tudo bem entre a gente. –Tá tudo bem para você, eu preciso de bem mais que isso. –Como assim? –Você é muito limitado. –Limitado? Eu? Mas até ontem eu era o amor da sua vida. Não faz o menor sentido você terminar comigo por isso.  –Veja bem o quanto eu era tola, amar alguém como você, já não importa. Tá tudo acabado entre nós. Não quero mais te ver e vai ser melhor assim.  Eu não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo, rs só podia ser uma piada não é verdade? Eu a conhecia bem, antes de namorarmos éramos melhores amigos e meu conhecimento era suficiente pra saber que aquele termino não era só por que eu era um cara limitado. Eu podia não ser nem de longe o cara mais inteligente do colégio, mas eu me virava, quando ela vinha falar dos livros que ela gostava de ler, eu sempre buscava ler o resumo na internet, assim eu poderia falar uma outra coisa sobre algum personagem, se fosse um livro de auto-ajuda era mais difícil, por que esse tipo de livro era sempre tudo igual, esses resumos eu já não lia mais. Eu podia ter percebido. Mega ironia. Me apaixonei de verdade pela minha melhor amiga, ela me deu um pé na bunda e eu fiquei lá sentado, pensando o porquê disso vir a acontecer, se eu sempre tentei ser um bom namorado, a mãe dela me adorava, certa vez ela chegou mais cedo do trabalho e nos pegou com a boca na botija, ou melhor com a Thaís com a boca na botija, foi constrangedor, fiquei preocupado com a reação da mãe dela, mas tudo o que ela fez foi ir direto pra cozinha assustada com o fato da filha fazer uma “obscenidade” daquelas, obviamente ela conversou com a gente depois, disse que éramos novos e ainda havia muito tempo para aproveitar os prazeres da vida, claro que concordamos naquele instante e no instante seguinte estávamos no quintal da Thaís, nos pegando loucamente, com mais atenção pra não sermos pegos de novo. O que eu não entendia agora era o porquê, apesar de nossas diferenças nos dávamos muitíssimo bem, éramos amigos e nosso namoro começou de uma forma natural, eu sabia o que ela mais gostava em um cara então quando me interessei por ela fiz tudo, absolutamente tudo que estava ao meu alcance para agradá-la. Funcionou. Namoramos. E agora? O problema de se namorar uma amiga é que se vocês terminarem você perde a amiga e a namorada. Garotos gostam de ter amigas, elas ajudam você a pegar as outras com maior facilidade. Eu, sem minha facilitadora e sem minha namorada, levantei do banco na frente da venda próxima do colégio e fui pra casa no modo automático, confesso que eu estava com uma vontade imensa de ir até a casa dela e implorar que ela não me deixasse que eu seria menos limitado e tudo ia ser diferente. Mas coloquei essa vontade no bolso e continuei a andar na direção da minha casa, a verdade é que mesmo sabendo que ela gostaria que eu fizesse isso, eu não faria isso nem ferrando.
 Cheguei em casa e fiquei olhando pro teto, de repente o meu sentimento de dúvida se transformou em uma raiva súbita, caramba eu tinha me esforçado pela primeira vez pra estar com alguém ela mais que ninguém sabia disso e mesmo assim fez isso comigo, que se dane então, vou esquecer ela da melhor forma possível, entrei no Facebook e já estava ela lá solteirinha da Silva e eu tava livre pra pegar quem eu quisesse, conversei um pouquinho com minha ex, fiz o tipo “tô tão triste” e recebi um convite pra ir na casa dela. A gente transou, mas todo o tempo meu pensamento só estava em um lugar e não era na mina embaixo de mim. Aproveitei, mas queria uma garota só. Depois da transa conversei um pouco com a fulana e fui pra casa. Passei a noite toda esperando ela entrar no MSN, mas essa não era a melhor forma de se reconquistar alguém. Ela não entrou. Fiquei naquela por horas, fui dormir umas 2 horas da manhã jogando indireta no twitter com a esperança de que ela falasse qualquer coisa. Eu parecia não existir mais pra ela e isso me doía muito. Eu deveria desistir dela e desfrutar da fase pra pegar quem sentisse dó de mim ou deveria persistir em entendê-la e melhorar. Ha eu já sabia o que fazer, mas precisava ser pela manhã no colégio.


Mande sua história para @akizyfalou ou kizymosh@hotmail.com

21 de agosto de 2011

Mande suas ideias

Se você tem alguma história interessante pra contar ou alguma ideia de história mande pra mim. @akizyfalou ou em kizymosh@hotmail.com

Quem é ela? V

O show terminou umas 0h depois disso, nós fomos para o Vale do Anhangabaú, nós e algumas pessoas com quem eu conversava o suficiente para não parecer tímida ou esnobe. A maioria das pessoas tímidas passa a impressão de serem esnobes, fiquei bêbada, muito bêbada, mas não podia transparecer isso, me deitei na grama da praça e olhei para o céu, o céu de São Paulo pra alguns é lindo, é sem a escuridão dos céus noturnos, é sem estrelas brilhantes como dentes brancos, é claro de fumaça, mas aquela noite eu podia ver algumas poucas estrelas, que pareciam conversar comigo, elas cantavam uma canção de ninar, me senti lerda, leve. O Caio se deitou do meu lado pegou na minha mão e cantarolou o primeiro verso de o Último Romance, dos Los Hermanos. Se jogou por cima de mim e me beijou com o gosto de vinho barato e eu podia sentir sua embriaguez, sentia mais que isso, mas isso eram outros poréns. –Quer viajar comigo? –O que? –É Carol, ir embora daqui. –Deixar tudo pra trás. Conhecer o mundo. –Como assim a gente mal se conhece. –Melhor ainda a gente se descobre enquanto viaja. –É loucura fazer isso e acho que você tá um pouquinho alto. –E importa viver se não for de loucuras? E de que vale ficar se ainda não construímos nada aqui? Temos tanto pra fazer e não precisa ser só aqui, não precisamos fincar raízes, quero que você vá comigo, por que assim vai ser melhor, por que você é uma boa companhia. Ele era um sonhador, daqueles determinados a sonhar vivendo e só parar quando cair em um pesadelo. Realmente não havia nada que me prendesse, nada, nadinha. Cheguei em casa lá pelas 4h, o show foi numa quinta feira, sexta eu tinha aula, mas que se danasse, não me importava em ir pra lugar algum agora, fui pro banheiro e com a água caindo na minha cabeça, me libertei da tensão de não saber o que fazer, obviamente eu me senti tentada pela proposta de viver como uma aventureira, nunca antes uma ideia como essa havia passado pela minha mente. Estava atordoada. Abalada e peraí o que eu ganharia ficando aqui, o que eu queria eu já tinha conseguido na noite passada, causei inveja, desejo, raiva e frissons, mas era só o que eu queria? Na boa não me via levando aquelas pessoas a sério ou convivendo com elas em mais e mais noites. Ou seria só uma implicância minha por nunca antes ter sido notada e agora ser a novidade delas. Recebi uma mensagem, o Caio me pediu pra não faltar à aula. Ótimo, com o sono que eu tava e a minha big ressaca, eu ia precisar de uns belos óculos escuros e muita cafeína, pra conseguir chegar à aula. E fui. Toda a minha felicidade pela noite anterior se converteu em uma agonia insustentável. E eu como sempre buscava não transparecer isso. Quando cheguei no colégio, as pessoinhas me cumprimentavam como BFF’s e minha vontade era dizer a elas: -Na boa, eu te conheço. Pelo contrário, eu as tratei muito bem como a boa garota que era e as felicitei com um sorriso armado. Onde estava o querido garoto que em apenas um dia e algumas palavras tinha feito uma reviravolta na minha pacata maneira de ser? Filho da mãe, onde ele estava? –Carol. –Oi, estava se escondendo por aí? –Não, me enrolei um pouco antes de sair de casa. –Hum... –E sobre ontem, desculpa se te assustei, sei lá. –Não se preocupe. –Bem eu só quero que você saiba que eu to indo pra Itatiba daqui uma semana e minha proposta tá de pé. –Tudo bem. O rosto dele não era só de quem tinha uma simples ressaca era de quem, estava com o mesmo sentimento que eu. Mas ele estava mais certo do que realmente queria. Eu não vi mais o Caio, sentia a falta dele como se ele sempre fizesse parte da minha vida. Tive até vontade de chorar ao lembrar de nossos beijos, no colégio agora eu era popular, tinha followers mesmo não gostando de escrever no twitter, e pessoas me chamavam pra qualquer evento que tivesse, eu não estava feliz e sabia que uma decisão me separava de um futuro incerto e diferente. E qual é mesmo o futuro certo? Não acredito que o futuro fosse previsível, então o que mesmo eu estava fazendo aqui ainda. Era manhã de quinta feira o Caio iria pra Itatiba no dia seguinte, e como eu o encontraria? Falei com meus pais sobre ir embora, eu não sumiria simplesmente sem dar noticias, isso não fazia meu tipo, eles não concordaram, mas confiavam em mim, no entanto eu deveria ligar duas vezes por semana no mínimo e qualquer coisa, voltar sem pensar.  O primeiro passo eu havia dado, faltava falar com o Caio e aí como eu conseguiria? Perguntei pra todo mundo, ninguém sabia sobre ele. Então lembrei da mensagem que eu tinha recebido. Liguei pra o número e eis que ouço aquela voz, eu parecia ver ele face a face e meu coração palpitava como se realmente ele estivesse face a face comigo. –Preciso te ver antes de você ir. –Carol, acho que não seria bom. –Caio, eu só quero te ver não vou fazer você desistir. –Só de te ver já terei vontade de ficar. –Você vai como? –Meu pai vai me deixar com o carro dele, assim vai ser melhor pra viajar. Foi a condição que ele me deu pra me deixar ir, eu não reclamei. –Haha que ótima condição. –Né? –Então passa aqui em casa antes de ir, OK? –Tudo bem. –Caio. –Oi? –Não deixe de vir. Corri e arrumei tudo que precisava pra uns seis meses de viagem. Não me preocupei com o colégio já que tinha nota pra dar e pra vender, era meu último ano então, era só esperar ele chegar. Quando ele chegou meu pai abriu a porta e disse: -Cuide da minha filha e aqui estão nossos números. O Caio sem entender nada pegou o papel da mão do meu pai e me olhou curioso, eu sorri, entreguei a ele minhas malas e o beijei. –Vamos? –Vai mesmo comigo. –Claro. Seu sorriso voltou o mesmo sorriso de quem sonha e conseguiu alguém pra sonhar junto.

19 de agosto de 2011

Quem é ela? IV

O show

Entramos no hall do Cine. O Caio cumprimentou umas 500 pessoas e me apresentou a todas elas, muitas delas eu já conhecia bem, mas claro elas não me conheciam, é estranho conhecer alguém que você relativamente já conhece, quando você vê essa pessoa e ouve fofocas sobre ela, ou vê as fotos dela no Facebook de uma festa que você sabe como aconteceu, mas não estava lá. Uma das garotas foi com quem mais tive essa sensação, o Caio perguntou sobre o dia em que eles combinaram de ir pra uma festa em um barzinho da Vila Mariana, e ela se perdeu, desistiu de procurar e voltou pra casa, lembro dela no banheiro falando ao celular com alguém sobre uma festa onde ela perdeu a chance de encontrar o cara (segundo ela) mais gato que ela já viu. Logicamente o cara era o Caio e pelos olhos dela cheios de raivinha lançados sobre mim, ela ainda tinha esperanças com ele. Eu era a rival. Sinceramente, o Caio ainda não valia tanto à pena, mas eu perderia minha primeira “disputa” pelo meu lugar ao sol? Nananinanão. Puxei na memória algum nome que faria aquela menina sumir, ela era uma daquelas que fazia coisas que ninguém imagina. Uma dessas coisas era sair vez ou outra com o pai de uma de suas melhores amigas, como eu usaria isso? Hum... Queria ela fora dali, não queria minha vida cheia de intrigas por causa de um garoto, mas não poderia ser tão na cara. Então sutilmente eu disse a ela, entre um sorriso e outro, que o pai da fulana de tal (amiga dela, que não convém dizer o nome, já que talvez você os conheça) está te esperando no carro lá fora. Ela ficou surpresa, arregalou os olhos, suspirou fundo e entendeu. Simples assim. Instantaneamente a ciclana pegou o beco. Depois dessa as pessoas que vieram mais tranquilas, algumas bêbadas, alguns céticos, alguns atenciosos, algumas garotas claro me mediam de cima a baixo. E eu sabia que isso era extremamente bom. Os garotos também e isso sim era melhor ainda. Esse era objetivo. Toda garota que é cobiçada pelos garotos, é odiada pelas garotas. A minha diferença entre eu e elas, é que eu era novidade. E com clareza o Caio estava orgulhoso como o macho dominante. Volta e meia ele sorria, um sorriso perfeito de quem exala alegria. Eu gostava disso nele. Ele não era transparente, mas comigo parecia ser inteiramente verdadeiro. Eu retribuía com segurança. Estava feliz de estar ali. O show ainda não havia começado e tínhamos meia hora mais ou menos. Fomos para um dos cantos onde podíamos ficar só nos dois pelo menos por enquanto. Ele me deu algo pra beber que parecia vinho, a qualidade era péssima. –Já tinha vindo aqui? –Haha, pra que eu viria? –Sei, lá. Realmente ter show aqui é fato inédito. –Pois é. –Você está incrível hoje, Carol. Ou melhor você é incrível. Ai como foi ouvir aquilo? Me senti mais linda ainda. Me senti nas nuvens. Mas não transpareci.  –Obrigado. Ah me empresta seu celular um segundo.  –Claro. Liguei pro meu pai e avisei onde eu estava, não sabia que horas ia chegar. Conversamos bastante, se meia hora pode ser bastante, mas o bastante pra entender o porquê do Caio me causar tanto encantamento. Ele era alguém diferente, intrigante, provocador, lindo e inteligente, sua maior qualidade era a observação. Assim como eu, ele também observava muito as outras pessoas, e usava o que sabia pra dominar as situações. Entendi então como ele sabia onde era minha casa. A minha dúvida era, será que era só o meu endereço que ele sabia ou tinha algo mais. Bem na hora do show entramos, e o som pra era bem diferente, mas eu gostei, era uma de suas bandas preferidas. Bebi mais um pouco e me senti bem leve, olhei pra ele e o sorriso mudou, ao som de Me leve às estrelas o Caio passou a mão pela minha cintura me puxou pra junto dele, seu rosto ficou bem próximo do meu, nossos olhos se encontraram, me corpo colado ao dele estremeceu, ele olhou pra minha boca, como se ela fosse um objeto de desejo e subitamente me beijou, 
um beijo doce e forte, apimentado e sutil, um perfeito equilíbrio, mas meu coração ia explodir, minhas mãos suavam, e um arrepio percorreu meu corpo, já não podia mais fingir, meu plano de ascensão tinha se virado contra mim, eu me senti completamente envolvida e o problema é que eu queria me jogar nessa teia que eu mesmo armei. 


16 de agosto de 2011

Quem é ela? III

O Bilhete


O tlidon da campainha me assustou, colocou minha cabeça de volta no meu pescoço. Eu estava cansada e sozinha em casa, então eu continuaria quieta e fingiria que não tinha ninguém em casa. Um, dois, três tilintares de campainha e percebi que quem quer que fosse a maldita pessoa apertando o botão, ela não desistiria. Me arrastando desci as escadas, beeem lentamente. Quando abri a porta, ninguém estava lá, mas havia no tapete um bilhetinho dizendo: - Por Favor, me encontre às 20h na frente da Galeria do Rock, Caio. Isso me deixava extremamente confusa. Meu coração palpitava como um coração de beija flor, minhas mãos suavam, e meu corpo pulsava como antes. A lembrança da boca do Caio voltou a minha mente e facilmente me perturbou. O que diabos aquele garoto queria comigo? Como ele encontrou minha casa? Só poderia ser uma brincadeira, claro que era e eu não iria a Galeria de maneira alguma. Comi qualquer coisa e fui deitar, precisava esquecer “a boca perturbadora e seu sorriso desconcertante”, obviamente não consegui dormir, me sentia tão estranha. Nunca havia sentido aquilo, nunca. Nem no meu primeiro beijo, que foi quando eu tinha uns 12 anos, num acampamento de férias, que de fato odiei. Bem fechei meus olhos e só conseguia repassar a cena da manhã em minha cabeça. Foi quando lembrei que não poderia me sentir daquele jeito, ou acabaria como uma das garotas do colégio, chorando pelos cantos, triste e mal falada. Se o Caio queria me ver e me perturbar com a boca dele, tudo bem, eu iria. Respirei fundo e procurei ser racional. Nada de desejos no controle, nada de emoção, se ela viesse seria apenas simulada, eu iria começar a usar o que aprendi, era minha chance de ser uma nova Carol.Sentei em frente o guarda roupa e escolhi as roupas perfeitas para a minha “estreia”, fui até o quarto da minha mãe e peguei maquiagem, já que antes nunca tinha precisado usar. Eram 19:15 e eu ia me atrasar. Apressei-me e fui pro metrô. Corri pra galeria e da esquina vi o Caio, perfeito, como ele estava perfeito, eu me senti agitada de novo, então respirei fundo, e me contive. Fui em direção a ele, e ele me olhou, com aquele olhar fixo de quem gosta do que vê. Tive a certeza de que ia dar certo, não importava o que acontecesse, iria dar certo. Ele sorriu e me pegou pela mão. Era incontrolável. Eu estava ridiculamente apaixonada por alguém que eu não conhecia. Eu estava disposta a correr riscos, e algo me dizia que eu correria. –Você está linda! –Ah, obrigado. –Olha já consegui tirar de você um sorriso e duas palavras, ganhei a noite. –Bobo. –Pronta? –Pra que? –Pra aproveitar a noite. –Acho que sim. Ele andou comigo até o Cine do lado da Galeria, o pornô cine por hoje teria um show sem mulheres nuas, era um show do Dance Of Days. E essa seria a primeira melhor noite da minha vida.

14 de agosto de 2011

Quem é ela? II


O amor é uma forma de prejuízo


Embora minha capacidade mental fosse além das expectativas para uma garota da minha idade eu tinha desejos que condiziam com desejos adolescentes, o que eu não podia negar era que eu queria um amor, bem eu não precisava amá-lo, na realidade ter um cara pra aparecer do seu lado nessa merda de fase é como sair dos becos escuros e anônimos de um colégio, mas precisava ser o cara certo.
Precisava ser bonito? Bem, até que não seria mal, isso é um tanto quanto importante para causar a inveja necessária para ser falada por aí. Precisava chamar atenção com o estilo que deveria ser novo. Precisava ser inteligente? Se ele não falasse de futebol, carro e mulher o tempo todo, para mim já era suficiente. Bom mesmo seria se ele nem muito falasse me pouparia tempo e tempo era o que eu não tinha muito para perder, afinal eu precisava…  Eu não precisava nada, eu não tinha nada pra fazer. OPA! Você deve estar se perguntando: – Por que você agora não quer ser anônima? Ou parecer com uma sombra e continuar nas sombras por aí? A verdade é que eu descobri algo em uma dessas últimas conversas em que participo como ouvinte, que fez com que eu pensasse, eu sou melhor que todos eles, ou pelo menos tenho mais armas que eles, e um tanto mais de dignidade, foi isso. Foi isso ou foi o fato de que finalmente alguém me notou. É meu posto de sombra estava ameaçado. E isso tinha tudo a ver com o “amor”, o amor é uma forma de prejuízo, quando ele chega algo sempre se perde, você perde seu dinheiro, seus amigos, seu tempo, suas opiniões, suas vontades. O ministério da saúde adverte amar faz mal a saúde mental, provoca crimes passionais e enormes prejuízos irreversíveis. Tudo bem, claro que eu nunca amei antes, amava meus pais, sim meus pais são pais bacanas, em casa é tudo tranquilo. Mas e aí? E o amor-paixão, o fogo que arde, o descontentar se descontentemente. Se o amor é isso prefiriria eu então ser amada que amar. Perdi a conta de quantas vezes, nas sombras, vi garotas chorarem por seus amores, pelo cara que transou com ela e nem lembra seu nome, pelo garoto que ela ama desde sempre e nem sabe que ela existe, e pelas garotas. Semana passada vi uma das piriguetes chorando porque a peguete dela agora quer experimentar coisas diferentes, segundo ela, ela cansou de manter um amor escondido, e agora quer um garoto pra exibir por aí. Pois é, fidelidade não é só não trair é também continuar. Essa fulana não sabia disso. E vi garotos chorarem também. Alguns garotos choram, são poucos. Adolescência é uma fase confusa e indigna, feliz aquele que sai dela, por que existem pessoas que nunca a deixarão. Voltando ao nosso prejuízo, pra alguém me notar deveria ser por descuido, o problema é que eu não o havia notado, um garoto novo, sempre causa fofocas e já tinha ouvido falar muito dele e ô ele era bem além do que eu ouvia nos comentários. Ele era o cara que eu esperava.
Na manhã em que isso aconteceu, eu tinha me atrasado para a primeira aula, fiquei esperando o sinal lendo “Os Miseráveis” de Victor Hugo, estava entretida demais pra notar algo, e alguém sentou do meu lado, abaixei os óculos escuros discretamente e o vi sorrir. Eu não sabia como agir, será que deveria sorrir? Falar? Na duvida virei o rosto, ele ficou sem graça e disse: -Esse  livro aí era meu sabia? –Como assim?Eu peguei na biblioteca. – Eu doei pra lá. – Então, já não é mais seu. –É, mas mesmo assim é um bom livro. –Verdade. –Olha só estamos no meio dos miseráveis (apontando para as garotas que passavam no corredor) E ele sorria, tinha em si uma falsidade assistida para aqueles miseráveis e por que tinha falado comigo?  -Como é seu nome? –Carol. –Eu sou o Caio. Tem aula de quê agora? –Literatura. –Acho que você perdeu sua aula, não? –É. –Tô te enchendo? –Não. –Tão monossilábica. –Hum… Não sabia o que fazer, ele era o que eu esperava, cada medida, e a boca, era desconcentrante. Eu queria beijá-lo. Sim como queria. Não resisti enquanto ele falava sobre de como tinha se atrasado pela manhã. Eu olhava a boca. Eu queria beijá-lo. Todo meu corpo pulsava pra isso e o sinal tocou. Ufa! Finalmente. –Tchau. –Te vejo no intervalo? –Pode ser. –Onde te encontro? –Eu te acho. Claro que não o acharia, o acharia e achei, mas não fui até ele. Fui pra casa com a cabeça girando com fome e algo mais… Tá, e também de pensar no Caio, era a primeira vez que eu me interessava por alguém. E eu realmente não sabia nem como, nem o que fazer. Foi quando a campainha tocou.
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