16 de agosto de 2011

Quem é ela? III

O Bilhete


O tlidon da campainha me assustou, colocou minha cabeça de volta no meu pescoço. Eu estava cansada e sozinha em casa, então eu continuaria quieta e fingiria que não tinha ninguém em casa. Um, dois, três tilintares de campainha e percebi que quem quer que fosse a maldita pessoa apertando o botão, ela não desistiria. Me arrastando desci as escadas, beeem lentamente. Quando abri a porta, ninguém estava lá, mas havia no tapete um bilhetinho dizendo: - Por Favor, me encontre às 20h na frente da Galeria do Rock, Caio. Isso me deixava extremamente confusa. Meu coração palpitava como um coração de beija flor, minhas mãos suavam, e meu corpo pulsava como antes. A lembrança da boca do Caio voltou a minha mente e facilmente me perturbou. O que diabos aquele garoto queria comigo? Como ele encontrou minha casa? Só poderia ser uma brincadeira, claro que era e eu não iria a Galeria de maneira alguma. Comi qualquer coisa e fui deitar, precisava esquecer “a boca perturbadora e seu sorriso desconcertante”, obviamente não consegui dormir, me sentia tão estranha. Nunca havia sentido aquilo, nunca. Nem no meu primeiro beijo, que foi quando eu tinha uns 12 anos, num acampamento de férias, que de fato odiei. Bem fechei meus olhos e só conseguia repassar a cena da manhã em minha cabeça. Foi quando lembrei que não poderia me sentir daquele jeito, ou acabaria como uma das garotas do colégio, chorando pelos cantos, triste e mal falada. Se o Caio queria me ver e me perturbar com a boca dele, tudo bem, eu iria. Respirei fundo e procurei ser racional. Nada de desejos no controle, nada de emoção, se ela viesse seria apenas simulada, eu iria começar a usar o que aprendi, era minha chance de ser uma nova Carol.Sentei em frente o guarda roupa e escolhi as roupas perfeitas para a minha “estreia”, fui até o quarto da minha mãe e peguei maquiagem, já que antes nunca tinha precisado usar. Eram 19:15 e eu ia me atrasar. Apressei-me e fui pro metrô. Corri pra galeria e da esquina vi o Caio, perfeito, como ele estava perfeito, eu me senti agitada de novo, então respirei fundo, e me contive. Fui em direção a ele, e ele me olhou, com aquele olhar fixo de quem gosta do que vê. Tive a certeza de que ia dar certo, não importava o que acontecesse, iria dar certo. Ele sorriu e me pegou pela mão. Era incontrolável. Eu estava ridiculamente apaixonada por alguém que eu não conhecia. Eu estava disposta a correr riscos, e algo me dizia que eu correria. –Você está linda! –Ah, obrigado. –Olha já consegui tirar de você um sorriso e duas palavras, ganhei a noite. –Bobo. –Pronta? –Pra que? –Pra aproveitar a noite. –Acho que sim. Ele andou comigo até o Cine do lado da Galeria, o pornô cine por hoje teria um show sem mulheres nuas, era um show do Dance Of Days. E essa seria a primeira melhor noite da minha vida.

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