19 de agosto de 2011

Quem é ela? IV

O show

Entramos no hall do Cine. O Caio cumprimentou umas 500 pessoas e me apresentou a todas elas, muitas delas eu já conhecia bem, mas claro elas não me conheciam, é estranho conhecer alguém que você relativamente já conhece, quando você vê essa pessoa e ouve fofocas sobre ela, ou vê as fotos dela no Facebook de uma festa que você sabe como aconteceu, mas não estava lá. Uma das garotas foi com quem mais tive essa sensação, o Caio perguntou sobre o dia em que eles combinaram de ir pra uma festa em um barzinho da Vila Mariana, e ela se perdeu, desistiu de procurar e voltou pra casa, lembro dela no banheiro falando ao celular com alguém sobre uma festa onde ela perdeu a chance de encontrar o cara (segundo ela) mais gato que ela já viu. Logicamente o cara era o Caio e pelos olhos dela cheios de raivinha lançados sobre mim, ela ainda tinha esperanças com ele. Eu era a rival. Sinceramente, o Caio ainda não valia tanto à pena, mas eu perderia minha primeira “disputa” pelo meu lugar ao sol? Nananinanão. Puxei na memória algum nome que faria aquela menina sumir, ela era uma daquelas que fazia coisas que ninguém imagina. Uma dessas coisas era sair vez ou outra com o pai de uma de suas melhores amigas, como eu usaria isso? Hum... Queria ela fora dali, não queria minha vida cheia de intrigas por causa de um garoto, mas não poderia ser tão na cara. Então sutilmente eu disse a ela, entre um sorriso e outro, que o pai da fulana de tal (amiga dela, que não convém dizer o nome, já que talvez você os conheça) está te esperando no carro lá fora. Ela ficou surpresa, arregalou os olhos, suspirou fundo e entendeu. Simples assim. Instantaneamente a ciclana pegou o beco. Depois dessa as pessoas que vieram mais tranquilas, algumas bêbadas, alguns céticos, alguns atenciosos, algumas garotas claro me mediam de cima a baixo. E eu sabia que isso era extremamente bom. Os garotos também e isso sim era melhor ainda. Esse era objetivo. Toda garota que é cobiçada pelos garotos, é odiada pelas garotas. A minha diferença entre eu e elas, é que eu era novidade. E com clareza o Caio estava orgulhoso como o macho dominante. Volta e meia ele sorria, um sorriso perfeito de quem exala alegria. Eu gostava disso nele. Ele não era transparente, mas comigo parecia ser inteiramente verdadeiro. Eu retribuía com segurança. Estava feliz de estar ali. O show ainda não havia começado e tínhamos meia hora mais ou menos. Fomos para um dos cantos onde podíamos ficar só nos dois pelo menos por enquanto. Ele me deu algo pra beber que parecia vinho, a qualidade era péssima. –Já tinha vindo aqui? –Haha, pra que eu viria? –Sei, lá. Realmente ter show aqui é fato inédito. –Pois é. –Você está incrível hoje, Carol. Ou melhor você é incrível. Ai como foi ouvir aquilo? Me senti mais linda ainda. Me senti nas nuvens. Mas não transpareci.  –Obrigado. Ah me empresta seu celular um segundo.  –Claro. Liguei pro meu pai e avisei onde eu estava, não sabia que horas ia chegar. Conversamos bastante, se meia hora pode ser bastante, mas o bastante pra entender o porquê do Caio me causar tanto encantamento. Ele era alguém diferente, intrigante, provocador, lindo e inteligente, sua maior qualidade era a observação. Assim como eu, ele também observava muito as outras pessoas, e usava o que sabia pra dominar as situações. Entendi então como ele sabia onde era minha casa. A minha dúvida era, será que era só o meu endereço que ele sabia ou tinha algo mais. Bem na hora do show entramos, e o som pra era bem diferente, mas eu gostei, era uma de suas bandas preferidas. Bebi mais um pouco e me senti bem leve, olhei pra ele e o sorriso mudou, ao som de Me leve às estrelas o Caio passou a mão pela minha cintura me puxou pra junto dele, seu rosto ficou bem próximo do meu, nossos olhos se encontraram, me corpo colado ao dele estremeceu, ele olhou pra minha boca, como se ela fosse um objeto de desejo e subitamente me beijou, 
um beijo doce e forte, apimentado e sutil, um perfeito equilíbrio, mas meu coração ia explodir, minhas mãos suavam, e um arrepio percorreu meu corpo, já não podia mais fingir, meu plano de ascensão tinha se virado contra mim, eu me senti completamente envolvida e o problema é que eu queria me jogar nessa teia que eu mesmo armei. 


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