O show terminou umas 0h depois disso, nós fomos para o Vale do Anhangabaú, nós e algumas pessoas com quem eu conversava o suficiente para não parecer tímida ou esnobe.
A maioria das pessoas tímidas passa a impressão de serem esnobes, fiquei bêbada, muito bêbada, mas não podia transparecer isso, me deitei na grama da praça e olhei para o céu, o céu de São Paulo pra alguns é lindo, é sem a escuridão dos céus noturnos, é sem estrelas brilhantes como dentes brancos, é claro de fumaça, mas aquela noite eu podia ver algumas poucas estrelas, que pareciam conversar comigo, elas cantavam uma canção de ninar, me senti lerda, leve. O Caio se deitou do meu lado pegou na minha mão e cantarolou o primeiro verso de o Último Romance, dos Los Hermanos. Se jogou por cima de mim e me beijou com o gosto de vinho barato e eu podia sentir sua embriaguez, sentia mais que isso, mas isso eram outros poréns. –Quer viajar comigo? –O que? –É Carol, ir embora daqui. –Deixar tudo pra trás. Conhecer o mundo. –Como assim a gente mal se conhece. –Melhor ainda a gente se descobre enquanto viaja. –É loucura fazer isso e acho que você tá um pouquinho alto. –E importa viver se não for de loucuras? E de que vale ficar se ainda não construímos nada aqui? Temos tanto pra fazer e não precisa ser só aqui, não precisamos fincar raízes, quero que você vá comigo, por que assim vai ser melhor, por que você é uma boa companhia. Ele era um sonhador, daqueles determinados a sonhar vivendo e só parar quando cair em um pesadelo. Realmente não havia nada que me prendesse, nada, nadinha. Cheguei em casa lá pelas 4h, o show foi numa quinta feira, sexta eu tinha aula, mas que se danasse, não me importava em ir pra lugar algum agora, fui pro banheiro e com a água caindo na minha cabeça, me libertei da tensão de não saber o que fazer, obviamente eu me senti tentada pela proposta de viver como uma aventureira, nunca antes uma ideia como essa havia passado pela minha mente. Estava atordoada. Abalada e peraí o que eu ganharia ficando aqui, o que eu queria eu já tinha conseguido na noite passada, causei inveja, desejo, raiva e frissons, mas era só o que eu queria? Na boa não me via levando aquelas pessoas a sério ou convivendo com elas em mais e mais noites. Ou seria só uma implicância minha por nunca antes ter sido notada e agora ser a novidade delas. Recebi uma mensagem, o Caio me pediu pra não faltar à aula. Ótimo, com o sono que eu tava e a minha big ressaca, eu ia precisar de uns belos óculos escuros e muita cafeína, pra conseguir chegar à aula. E fui. Toda a minha felicidade pela noite anterior se converteu em uma agonia insustentável. E eu como sempre buscava não transparecer isso. Quando cheguei no colégio, as pessoinhas me cumprimentavam como BFF’s e minha vontade era dizer a elas: -Na boa, eu te conheço. Pelo contrário, eu as tratei muito bem como a boa garota que era e as felicitei com um sorriso armado. Onde estava o querido garoto que em apenas um dia e algumas palavras tinha feito uma reviravolta na minha pacata maneira de ser? Filho da mãe, onde ele estava? –Carol. –Oi, estava se escondendo por aí? –Não, me enrolei um pouco antes de sair de casa. –Hum... –E sobre ontem, desculpa se te assustei, sei lá. –Não se preocupe. –Bem eu só quero que você saiba que eu to indo pra Itatiba daqui uma semana e minha proposta tá de pé. –Tudo bem. O rosto dele não era só de quem tinha uma simples ressaca era de quem, estava com o mesmo sentimento que eu. Mas ele estava mais certo do que realmente queria. Eu não vi mais o Caio, sentia a falta dele como se ele sempre fizesse parte da minha vida. Tive até vontade de chorar ao lembrar de nossos beijos, no colégio agora eu era popular, tinha followers mesmo não gostando de escrever no twitter, e pessoas me chamavam pra qualquer evento que tivesse, eu não estava feliz e sabia que uma decisão me separava de um futuro incerto e diferente. E qual é mesmo o futuro certo? Não acredito que o futuro fosse previsível, então o que mesmo eu estava fazendo aqui ainda. Era manhã de quinta feira o Caio iria pra Itatiba no dia seguinte, e como eu o encontraria? Falei com meus pais sobre ir embora, eu não sumiria simplesmente sem dar noticias, isso não fazia meu tipo, eles não concordaram, mas confiavam em mim, no entanto eu deveria ligar duas vezes por semana no mínimo e qualquer coisa, voltar sem pensar.
O primeiro passo eu havia dado, faltava falar com o Caio e aí como eu conseguiria? Perguntei pra todo mundo, ninguém sabia sobre ele. Então lembrei da mensagem que eu tinha recebido. Liguei pra o número e eis que ouço aquela voz, eu parecia ver ele face a face e meu coração palpitava como se realmente ele estivesse face a face comigo. –Preciso te ver antes de você ir. –Carol, acho que não seria bom. –Caio, eu só quero te ver não vou fazer você desistir. –Só de te ver já terei vontade de ficar. –Você vai como? –Meu pai vai me deixar com o carro dele, assim vai ser melhor pra viajar. Foi a condição que ele me deu pra me deixar ir, eu não reclamei. –Haha que ótima condição. –Né? –Então passa aqui em casa antes de ir, OK? –Tudo bem. –Caio. –Oi? –Não deixe de vir. Corri e arrumei tudo que precisava pra uns seis meses de viagem. Não me preocupei com o colégio já que tinha nota pra dar e pra vender, era meu último ano então, era só esperar ele chegar. Quando ele chegou meu pai abriu a porta e disse: -Cuide da minha filha e aqui estão nossos números. O Caio sem entender nada pegou o papel da mão do meu pai e me olhou curioso, eu sorri, entreguei a ele minhas malas e o beijei. –Vamos? –Vai mesmo comigo. –Claro. Seu sorriso voltou o mesmo sorriso de quem sonha e conseguiu alguém pra sonhar junto.
A maioria das pessoas tímidas passa a impressão de serem esnobes, fiquei bêbada, muito bêbada, mas não podia transparecer isso, me deitei na grama da praça e olhei para o céu, o céu de São Paulo pra alguns é lindo, é sem a escuridão dos céus noturnos, é sem estrelas brilhantes como dentes brancos, é claro de fumaça, mas aquela noite eu podia ver algumas poucas estrelas, que pareciam conversar comigo, elas cantavam uma canção de ninar, me senti lerda, leve. O Caio se deitou do meu lado pegou na minha mão e cantarolou o primeiro verso de o Último Romance, dos Los Hermanos. Se jogou por cima de mim e me beijou com o gosto de vinho barato e eu podia sentir sua embriaguez, sentia mais que isso, mas isso eram outros poréns. –Quer viajar comigo? –O que? –É Carol, ir embora daqui. –Deixar tudo pra trás. Conhecer o mundo. –Como assim a gente mal se conhece. –Melhor ainda a gente se descobre enquanto viaja. –É loucura fazer isso e acho que você tá um pouquinho alto. –E importa viver se não for de loucuras? E de que vale ficar se ainda não construímos nada aqui? Temos tanto pra fazer e não precisa ser só aqui, não precisamos fincar raízes, quero que você vá comigo, por que assim vai ser melhor, por que você é uma boa companhia. Ele era um sonhador, daqueles determinados a sonhar vivendo e só parar quando cair em um pesadelo. Realmente não havia nada que me prendesse, nada, nadinha. Cheguei em casa lá pelas 4h, o show foi numa quinta feira, sexta eu tinha aula, mas que se danasse, não me importava em ir pra lugar algum agora, fui pro banheiro e com a água caindo na minha cabeça, me libertei da tensão de não saber o que fazer, obviamente eu me senti tentada pela proposta de viver como uma aventureira, nunca antes uma ideia como essa havia passado pela minha mente. Estava atordoada. Abalada e peraí o que eu ganharia ficando aqui, o que eu queria eu já tinha conseguido na noite passada, causei inveja, desejo, raiva e frissons, mas era só o que eu queria? Na boa não me via levando aquelas pessoas a sério ou convivendo com elas em mais e mais noites. Ou seria só uma implicância minha por nunca antes ter sido notada e agora ser a novidade delas. Recebi uma mensagem, o Caio me pediu pra não faltar à aula. Ótimo, com o sono que eu tava e a minha big ressaca, eu ia precisar de uns belos óculos escuros e muita cafeína, pra conseguir chegar à aula. E fui. Toda a minha felicidade pela noite anterior se converteu em uma agonia insustentável. E eu como sempre buscava não transparecer isso. Quando cheguei no colégio, as pessoinhas me cumprimentavam como BFF’s e minha vontade era dizer a elas: -Na boa, eu te conheço. Pelo contrário, eu as tratei muito bem como a boa garota que era e as felicitei com um sorriso armado. Onde estava o querido garoto que em apenas um dia e algumas palavras tinha feito uma reviravolta na minha pacata maneira de ser? Filho da mãe, onde ele estava? –Carol. –Oi, estava se escondendo por aí? –Não, me enrolei um pouco antes de sair de casa. –Hum... –E sobre ontem, desculpa se te assustei, sei lá. –Não se preocupe. –Bem eu só quero que você saiba que eu to indo pra Itatiba daqui uma semana e minha proposta tá de pé. –Tudo bem. O rosto dele não era só de quem tinha uma simples ressaca era de quem, estava com o mesmo sentimento que eu. Mas ele estava mais certo do que realmente queria. Eu não vi mais o Caio, sentia a falta dele como se ele sempre fizesse parte da minha vida. Tive até vontade de chorar ao lembrar de nossos beijos, no colégio agora eu era popular, tinha followers mesmo não gostando de escrever no twitter, e pessoas me chamavam pra qualquer evento que tivesse, eu não estava feliz e sabia que uma decisão me separava de um futuro incerto e diferente. E qual é mesmo o futuro certo? Não acredito que o futuro fosse previsível, então o que mesmo eu estava fazendo aqui ainda. Era manhã de quinta feira o Caio iria pra Itatiba no dia seguinte, e como eu o encontraria? Falei com meus pais sobre ir embora, eu não sumiria simplesmente sem dar noticias, isso não fazia meu tipo, eles não concordaram, mas confiavam em mim, no entanto eu deveria ligar duas vezes por semana no mínimo e qualquer coisa, voltar sem pensar.
O primeiro passo eu havia dado, faltava falar com o Caio e aí como eu conseguiria? Perguntei pra todo mundo, ninguém sabia sobre ele. Então lembrei da mensagem que eu tinha recebido. Liguei pra o número e eis que ouço aquela voz, eu parecia ver ele face a face e meu coração palpitava como se realmente ele estivesse face a face comigo. –Preciso te ver antes de você ir. –Carol, acho que não seria bom. –Caio, eu só quero te ver não vou fazer você desistir. –Só de te ver já terei vontade de ficar. –Você vai como? –Meu pai vai me deixar com o carro dele, assim vai ser melhor pra viajar. Foi a condição que ele me deu pra me deixar ir, eu não reclamei. –Haha que ótima condição. –Né? –Então passa aqui em casa antes de ir, OK? –Tudo bem. –Caio. –Oi? –Não deixe de vir. Corri e arrumei tudo que precisava pra uns seis meses de viagem. Não me preocupei com o colégio já que tinha nota pra dar e pra vender, era meu último ano então, era só esperar ele chegar. Quando ele chegou meu pai abriu a porta e disse: -Cuide da minha filha e aqui estão nossos números. O Caio sem entender nada pegou o papel da mão do meu pai e me olhou curioso, eu sorri, entreguei a ele minhas malas e o beijei. –Vamos? –Vai mesmo comigo. –Claro. Seu sorriso voltou o mesmo sorriso de quem sonha e conseguiu alguém pra sonhar junto.
Simplesmente lindo. Encanta, prende, fixa, absorve o leitor.
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